A ideia já tem 14 anos e foi agora premiada com uma menção honrosa. Há uma petição com quase duas mil assinaturas.

ideia já não é nova: nasceu em 2004 e tem vindo a crescer sobretudo desde 2013, por iniciativa quase exclusiva, e pessoal, de um ex-funcionário da Brisa. António Pinto dos Santos e a sua AlmaLisboa, página e conceito que criou para suportar a batalha pela criação de uma ciclovia na Ponte 25 de abril, acabou de receber uma menção honrosa na primeira edição dos Global Movi Awards, criados para premiar e incentivar a mobilidade inteligente.

A luta, encabeçada por uma petição online que conta quase com duas mil assinaturas, ganha assim uma nova força, num percurso que até agora tem sido um pouco um clássico David contra Golias.

Segundo a candidatura do projeto aos Movi Awards, António Pinto dos Santos, que também já participou de Renault 4L em vários ralis, inspirou-se na ponte com maiores semelhanças com a 25 de Abril, a Golden Gate de São Francisco, nos Estados Unidos.

Esta travessia é constantemente comparada à de Lisboa (existe até o mito urbano de que foi erguida pela mesma companhia, mas não; embora o tenha sido por uma companhia norte-americana); e na versão americana sim, há bicicletas e peões a atravessar a ponte, todos os dias.

E são já muitos os cidadãos que parecem concordar com a ideia de ligar as duas margens da ponte mais icónica da capital de forma ciclável, ou até a pé.

Uma das últimas pessoas que se juntou à causa foi Pedro Lousada, vocalista dos Blasted Mechanism. O Guitshu do grupo português mora no concelho de Almada e diz que recentemente sonhou que andava de bicicleta na ponte, e até acordou a imaginar a sensação e o cheiro de o fazer de manhã. “Depois de pensar um pouco sobre isto e o porquê de não haver, resolvi fazer um post sobre a ideia com uma imagem da Golden Gate para ilustrar. E quando abro o Facebook, vejo que dispararam as partilhas do post, com muitas pessoas a reagirem favoravelmente a uma passagem pedonal e de velocípedes”, explicou ao jornal NiT.

Assim sendo, decidiu procurar “se não andava por aí mais gente com a mesma ideia”, o que o levou a António Pinto Santos. “Entrei em contacto com ele, e depois de perceber que não havia uma agenda política por detrás da ideia, resolvi ajudar o movimento AlmaLisboa a arranjar assinaturas e visibilidade”, adianta.

Autoridades reticentes

Do outro lado da questão, tem sido uma constante, por parte das autoridades, a posição de que a ideia é um pouco só isso, e que a sua concretização prática seria complicada devido a questões logísticas, de segurança e de custos.

Segundo um artigo da “Motor24” publicado na Global Movi Awards, cuja cerimónia de entrega de prémios foi na passada semana, a ideia do engenheiro Pinto dos Santos surgiu em 2004, quando, numa acção de formação com convidados internacionais, um orador expressou o seu encanto com a cidade de Lisboa, mas a incompreensão pelo facto de não haver na Ponte 25 de Abril uma ciclovia ou uma passagem pedonal.

Desde então, iniciou-se este movimento, mas um dos seus maiores entraves é o custo, que poderia passar os 10 milhões de euros. No entanto, explica-se inclusive na petição, a obra poderia ser candidata a fundos europeus. São também, defende o engenheiro, muitos os benefícios futuros a nível de turismo, mobilidade, transporte e ambiente que poderiam compensar um investimento.

No mesmo artigo, explica-se que, no projeto AlmaLisboa, o acesso à ponte dos ciclistas e peões poderia ser feito com elevadores, e que seriam instalados portões nas extremidades para garantir o fecho noturno. As condições meteorológicas seriam acauteladas, com um site próprio que levaria ao encerramento das vias em caso de vento forte ou tempo adverso, ou em caso de emergência.

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